Verde

corredor de uma praça com bancos sombreados pelas árvores
corredor de uma praça com bancos sombreados pelas árvores
Praça (Pamellah Hein / Flickr) – CC BY-NC 2.0

Espalhar sementes e mudas por aí, para o verde surgir nas paisagens, como se brotassem do nada pitangueiras, amoreiras e ipês nas calçadas, nas margens dos rios, nos gramados das praças. Repentinamente a cidade está tomada por frutos, flores e verde, os caminhos são frescos e sombreados.

Cutucando minha mente para saber se fui eu que criei isso ou li em algum lugar, lembrei do livro do menino do dedo verde, um dos livros que marcaram minha infância.

Seria interessante ser o marginal que espalha florestas anonimamente por onde passa. Do alto, seria possível ver o caminho por onde passei, já com árvores grandes do início na jornada e pequenos e frágeis brotos no fim.

Você, querido leitor, talvez não saiba, mas eu já plantei algumas árvores, duas me são especialmente caras, um Pau Brasil plantado em uma calçada que periodicamente se indispõe com os fios da concessionária de energia e um pé de romã, que para minha surpresa seus frutos não são romãs.

Poderia me orgulhar da quantidade de pés de manjericão que plantei nas varandas dos lugares que morei, mas o orgulho pressiona para omitir quantidade semelhante de frágeis manjericões que morreram sob meus cuidados.

Neste ano que nos trouxe uma lupa para a morte, me apeguei à vida das plantas que estão aqui quarentenadas comigo. Acho que me tornei um cuidador melhor e secretamente alimento o plano de distribuir mudas do manjericão. Neste ano manchado pela morte, estou determinado em distribuir a vida. E você? Preparado para semear seu caminho?